Polícia Federal deflagra Operação Palavra-Chave e investiga esquema de compra de votos em Araguaína

Mandados atingem vereador reeleito e grupo suspeito; apuração inclui indícios de caixa dois, coação de servidores e uso de código para liberação de pagamentos

09:00
06/05/2026

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (6), a Operação Palavra-Chave, voltada à investigação de um suposto esquema de crimes eleitorais envolvendo um vereador reeleito nas eleições municipais de 2024 em Araguaína. A ação apura a atuação de um grupo suspeito de praticar compra de votos, além de possíveis irregularidades como caixa dois e coação de servidores públicos.

Durante a operação, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em diferentes endereços da cidade, incluindo a residência do parlamentar investigado. As ordens judiciais foram expedidas pelo Juízo da 34ª Zona Eleitoral e fazem parte de um conjunto de medidas destinadas a aprofundar as investigações e esclarecer a estrutura de atuação do grupo.

Segundo informações da Polícia Federal, os levantamentos iniciais indicam que apoiadores do candidato teriam sido mobilizados para atuar em atividades de militância eleitoral com possível pagamento por serviços não declarados na prestação de contas da campanha. Essa prática, caso confirmada, pode caracterizar o chamado “caixa dois”, quando gastos são omitidos das declarações oficiais à Justiça Eleitoral.

Um dos principais focos da investigação diz respeito ao suposto mecanismo utilizado para operacionalizar a compra de votos. De acordo com os elementos já reunidos, o grupo teria adotado a expressão “palavra-chave” como um código que deveria ser informado pelo eleitor após a votação. Esse procedimento funcionaria como uma espécie de confirmação do voto, permitindo a liberação do pagamento previamente prometido.

Além disso, as investigações apontam indícios de coação contra servidores públicos municipais. Conforme apurado, alguns funcionários teriam sido pressionados a manifestar apoio ao candidato, sob ameaça de exoneração ou perda de seus cargos.

A Polícia Federal destaca que os investigados poderão responder, conforme a participação individual de cada um, por crimes como corrupção eleitoral, falsidade ideológica eleitoral, coação e organização criminosa. Somadas, as penas podem ultrapassar 17 anos de reclusão.

O nome da operação — Palavra-Chave — faz referência direta ao suposto método utilizado pelo grupo para controlar e validar os votos dentro do esquema investigado. As apurações continuam em andamento, e novas diligências não estão descartadas.

 

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